Como os caridosos leitores deste blog sabem, sou advogada, de modo que já ví muita coisa feia por aí, não se engane caro acadêmico, não é apenas o Direito Penal dono de um cortejo de horrores, se seu estômago é muito fraco recomendo seguir carreira pelas plagas tributárias ou administrativas.
Mas, nunca tive vocação para tão nobres misteres, tão logo aprovada pela OAB,fui direto trabalhar com Direito de Família e Direitos da Criança e do Adolescente, aviso não faltou, os professores sempre insistiram no fato de ser a baixaria a tônica da maioria dos processos do gênero.
Baixaria? Eles deveriam ter dito Baixeza, como B maiusculo mesmo, a família da forma como vem sendo praticada há milênios é um caudal de neuroses e sadomasoquismos, e se, ela é a celula-mater do sociedade e do Estado…
A tal frieza profissional proporcionou uma blindagem excelente para continuar navegando pelo pântano, contudo, há um monstro que ,creio, jamais será derrotado, o abuso sexual de crianças e adolecentes.
Este é um lamaçal movediço sem fundo, mas o pior, a sordidez dentre toda a sordidez é a cumplicidade dos parentes das vítimas, em especial a mãe, acho que todo mundo já ouviu falar daquela história em que o pai tarado ataca a filha de dez anos e a genitora megera expulsa a coitada de casa. Infelizmente, isto não é enredo de novela mexicana, é a realidade de muitos lares.
Porque a mulher, não importa sua idade, é vista como um bem descartável,e coisas descartáveis devem ser o mais novas possível, porque a gente vive em uma sociedade PP-pedófila e psicopata e ainda assim, a mulher prefere agredir a sí própria na figura de sua filha, sua irmã, sua colega , porque dá menos trabalho do que refletir sobre o papel que desejamos.
Já ouvi delegado chamando menina violentada de “vagabundinha mirim”, idiotas a dizer que “não existe isso de pai ou mãe abusar da filha, é frescura moderna”, as pessoas gostam de viver no mundo rosa e se algo ameaça quebrar seus óculos virtuais, porrada na vítima, afinal, ela é sempre culpada, o seu choro impede a vovó de ver sua novelinha de todos os dias,viciado não consegue se importar com os outros mesmo…
Desamparo total, é o que resta às milhões de crianças abusadas pelo mundo, o fim da história de horror não varia muito, gente pequena que foge da casa dos demônios (como diz uma amiga minha que não teve pais e sim dois carrascos nazistas,em especial sua mãe, cumplice do padrasto pervertido) e vai para rua cair na mão de proxenetas ,traficantes e bandidos fardados, aí o cidadão de bem, devia a cabeça um poquinho da TV e diz a sua esposa que só a pena de morte resolverá o problema da marginalidade…..