El Greco-El Soplon

El Greco-El Soplon

Outro dia me perguntaram o porque das imagens em quase todos os textos do Estranho Mundo, bom, antes da resposta óbvia, porque eu sou uma adoradora das artes plásticas,e queria um lugar onde eu pudesse visualizar as obras de que mais gosto sempre que quisesse.
Oras! Não faça esta cara, Isoneide,todo mundo cria um blog com os propósitos mais narcisistas e egoístas do mundo, só que em alguns casos, como dizia Monteiro Lobato, é um egoísmo “do bem’, chamado utilidade pública, função social, mas, eu não sou tão evoluída assim para sofisticar minha falta de uma motivação mais nobre.
Como diriam os Titãs, ” A gente não quer só comida, a gente quer diversão e arte”. Diversão, não sei, juro que não é proposital, mas os textos acabam saindo mais sisudos do que eu gostaria, bom, assim como o cachorro é espelho do dono….
Contudo a razão principal das reproduções de obras de artistas famosos e de outros mais restritos aos círculos dos estudantes e apreciadores é dialogar com as palavras e por consequencia com o amável leitor, e esta conversa é multipla, às vezes irônica, outras terna a amenizar um tema muito pesado, e na maior parte dos casos exprimem perplexidade, revolta, medo. Mas, não sou eu, é o meu eu lírico.

saida ptVocê já se sentiu enganado? Não é preciso responder, todo mundo ou quase já deve ter se sentido traído, insultado em sua inteligência, feito de bobo.
Contudo, não deve haver embustes maiores do que o ex Partido dos Trabalhadores, vulgo PT.Apareceu em plena ditadura ostentando como logo uma estrela vermelha, símbolo máximo do socialismo,capitaneou greves,enfrentou a sanha dos militares,deu voz às feministas e ao movimento negro, e sua figura mais destacada era um metalurgico de origem nordestina, que perdera um dedo por conta de um acidente de trabalho.Na época, nada mais antipático às classes médias e altas, contudo, com a derrocada do milagre econômico,sucessivos planos malucos ,de moeda, estas acabaram,digamos,mais tolerantes…
Era,todas estas glórias jazem em um passado cada vez mais distante,há tempos a coisa começou a degringolar, de alternativa ao jeito viciado de se fazer política no Brasil, aos poucos tornou-se um partido como os outros que antes eram os alvos da sua fúria moralizadora.
Até chegar onde queria, a presidência da república, em nome de alianças feitas no desespero de vencer as eleições de 2002,depois de três derrotas sucessivas, embrenhou-se em alianças mais do que suspeitas com nomes que antes apontava como representantes do atraso e da leniência para com o regime militar. Para manter a palavra e as promessas de ministérios e presidências de senado, da câmara, expulsou membros que insistiram em denunciar o descaminho da proposta original de uma legenda que se dizia de esquerda e dos trabalhadores.
E hoje, eis que a estrela acaba de quebrar, ao prestar solidariedade a um dos maiores coronéis do Bananão, Sarney e sua gangue,ops, família, se não ficou claro o que digo, faça uma visitinha ao Maranhão, mas não aquele para turistas, o que temos aí não passa de um zumbi, ao qual ainda não se disse:
Descanse em paz, PT!

Goyta- Tribunal do Santo Ofício

Goyta- Tribunal do Santo Ofício


Como algum eventual e caridoso leitor sabe, sou rata de orkut, um dos motivos principais é que só o ambiente virtual de um site de relacionamentos permite conhecer tantas pessoas e suas visões de mundo, certo que em 90% dos casos, isto não é muito agradável. mas ainda está valendo.
Ainda que o senso comum diga que lá as pessoas exagerem para mais , todo mundo é lindo, ganha bem, e integra famílias perfeitas, é preciso um certo tempo para que a inibição suma e fatos interessantes venhamà tona. Pois é, às vezes é preciso alma de Poirot…
Onde quero chegar com toda essa lenga-lenga é no espinhoso assunto de relações entre classes sociais, como´se sabe, 90% dos usuários do Orkut pertecem às classes médias e altas , paulistas. Não pense, descuidado leitor que haja grande homogeneidade de idéias.
Quando os temas cotas, MST, inclusão digital, favela, sem-teto e MST dão o ar da graça coisas muitoooooo interessantes podem ser lidas.
Resolvi escrever por conta de um tópico ainda rolando por uma comunidade , que fala justamnete sobre….Áreas de ocupação, áreas de risco… Para esclarecer,o termo é um eufemismo para invasão e a subsequente favela.
Pois bem, uma forista dizia que como os moradores destes locais não pagam IPTU ,logo, não têm o direito de cobrar obras de contenção de encostas e córregos das autoridades…Pois é, a lógica do não tem grana, foda-se…Não vou pedir desculpas pela crueza das palavras.
Pior foi ver a concordância quase unânime dos outros, a classe média abandonou os serviços publicos,eles se deterioraram , mas o governo não deixou de cobrar impostos por conto disto, e agora, ela posa de mater dolorsa, esmagada sob o peso dos tributos e nenhuma contrapartida. Mas, Isoneide, você cobrou? Pois é, nem ela.
Voltando aos invasores, não estou assumindo aquela clássica posição esquerdalóide , apoiando sem reservas a ocupação desenfreada de terrenos, primeiro porque isto agride o meio ambiente, detona com mananciais de áreas verdes,segundo porque não é nenhuma “conquista do proletariado sofrido sobre a burguesia malvada”.um ato de rebeldia sim, mas que bem poucas benesses traz ,ao menos a curto prazo.
Só que tambem não dá para assumir aquela posição do positivismo jurídico mais do que tapado no tocante ao direito à propriedade, tanto que o Código Civil e a Constituição dizem que ele deve estar consonante à uma função social, esta ultima expressão, mais um daqueles termos vagos que rende ementas e mais ementas nos tribunais da vida. A função do Direito é antes de tudo ,mediar conflitos,regras de convivência só serão ditadas depois , antes de tudo está a gana de viver,não sobreviver, equiparado a bicho no estábulo, alguns chamam a isto de Direito Natural, ño caso em tela, como gostam de dizer os profissionais do ramo, se não há políticas consistentes de habitação popular, do outro lado, se há terrenos ociosos, destinados apenas à especulação, esta equação nunca seria das mais harmônicas.
Agora, acima do direito de não morar embaixo da ponte há outros dois ainda mais importantes, à vida e à integridade física, o Estado que se diz democrático e de direito deve ou deveria assegurar a todos os seus cidadãos, pobre, ricos, criminosos, “pessoas de bem”, prostitutas, freiras, favelados, executivos, eis o porque de quem vive em áreia invadida ter todo o direito de cobrar medidas no sentido de evitar enchentes e deslizamentos….Viste,ó vaca fascista?

Não assisti ao filme com Betty Faria e nem tive a oportunidade de ler o livro de Aguinaldo Silva em cima do qual foi feito o roteiro, primeiro era a falta de oportunidade,depois porque eu queria começar a minha busca despida de qualquer referência ou comparação, a meta era a real Djanira Ramos Suzano.
Não foi muti o que encontrei, mas ainda assim fascinante, ela tinha vinte anos e dois filhos pequenos,, quando entrou para a marginalidade no começo dos anos setenta, aos dezesseis os pais a obrigaram a se casar com um homem do qual não gostava, separou-se e foi viver com Jorge, um traficante, que foi assassinado, os matadores voltaram para buscar as armas da vítima e foram mortos por Lili, seu primeiro crime.
Depois disso, virou lenda, ao comandar assaltos de peruca loira e roupas justas, o condinome Carabina sabe-se lá porque ganhou já que jamais usou esta arma, e sim uma pistola, barbarizou até ser condenada a mais de cem anos de prisão por tráfico, homicídio, ´direção perigosa, no começo dos anos oitenta.
Até aí seria a história de um bandido comum,ao menos , nos dias atuais, não fosse o fato de que se tratava de uma mulher e que infringiu a lei na fase mais pesada do regime militar, pondo fim à era dos bandidos românticos como Meneghetti.
Ela subverteu a hierarquia rígida do mundo do crime ao liderar as ações, ainda hoje as mulheres ,com raras exceções desempenham funções “menores” , foi muito temida e respeitada.
Presa, saiu em fugas espetaculares e na ultima levou dois tiros na cabeça,passou vinte dias em coma e pelo resto de sua vida teve um lado do corpo paralisado,depois veio o diabetes que acabou de lhe destroçar.
Ao ser libertada em 1999, disse que havia se convertido há alguns anos, foi para a casa de uma filha ,teve outros dois rapazes, um com um bandido e outro com um sargento do exército, os dois morreram,levou uma vida discreta até morrer em 2000

JW. Waterhouse-Circe Invidiosa 1892

JW. Waterhouse-Circe Invidiosa 1892


Adoro a série House MD, mais pelo jeito sarcástico e intratávelmente cômico do seu protagonista do que pelo enredo ,que,às vezes deixa e muita a desejar, aquela avalanche de doenças raríssimas acaba por resvalar ou no sensacionalismo, ou no bizarro, e a forma como o médico ranzinza chega á verdade nem sempre convence.
Mas as doenças,apesar das mancadas do roteiro, elas são competentíssimas no seu papel de vilãs, assustar, muitas são inacessíveis à imaginação das pessoas comuns e outras, além da cabeça de qualquer escritor de ficção científica ou terror.Insônia mortal, Mal de Huntintgton, paralisia do carrapato.
Nada diz mais sobre o nosso real tamanho do que enfermidades, organismos centenas de milhares de vezes menores e mais primitivos são os verdadeiros senhores de nossas vidas,príons,vírus, células bactérias,células mutantes,genes malignos toda a nossa civilização pós-moderna,tecnocrática, científica foi construída com o medo destes seres.
Mas… A parede do bunker está coalhada de rachaduras, pobreza, ignorância, estresse, falta de tempo, de comida ou o excesso dela, solidão,enfim, as doenças sempre encontram um jeito de furar o nosso pífio bloqueio.
O ser humano em geral, tem uma relação contraditória com a sua fragilidade, a usa como isca para a indulgência de seus pares e ao mesmo tempo ela é escamoteada, como sabiamente pondera Philipe Ariés em História da Morte No Ocidente, a sociedade (outra vez ela) contemporanêa carateceriza-se pelo sucesso financeiro,pela supervalorização da beleza e da juventude .
Adoecer não permite negociar com nossos limites, muito menos retoques nas nossas ilusões de onipotência e de nada ter com a natureza animal dos outros seres,é a prova mais cabal da nossa impermanência, fragilidade, o doente desperta compaixão e repulsa por atuar como um espelho.
Não há House na vida real…

Caravaggio- O Silêncio Dramático Da Descoberta

Caravaggio- O Silêncio Dramático Da Descoberta

No capítulo anterior (eu vou brincar aqui sim!) ,melhor, no final dele, comecei a falar do outro vértice deste triângulo nada isóceles, chamado mulher-sociedade-criança e suas agruras pós-parto. Houve quem me acusasse de imediatismo,pois afinal, “amar também se aprende”.
Não duvido e tampouco acredito em amores relâmpagos, nem entre casais e muito menos entre pais e filhos, desejar é uma coisa, amá-los é outra muito diferente, implica em abandono das projeções do ego e aceitar que o seu rebento não é espelho e nem clone , inclusive possui traços que você acha desagradáveis na personalidade, independente da educação recebida.
Olha eu a me perder de novo,mas há mulheres e homens que por algum motivo nunca conseguirão amar suas crias ,ou tarde demais, quando já existe um adulto ou jovem totalmente desajustado e infeliz, e isto NÃO é uma justificativa de abusos verbais, físicos e/ou sexuais, quem perpetra essas barbaridades contra os que estão sob sua responsabilidade ,idoso ou menor é criminoso e o lugar de bandidos é…A Cadeia!
Tudo lindo, maravilhoso na teoria, aprontou, responde perante à Justiça. é,deveria funcionar assim, mas, para além da ineficiência do nosso aparato judiciário e policial, e a consequente impunidade, há o fato de que nem todo mundo se sente intimidado por leis ,para muitos não passam de um pedaço de papel com um monte de letrinhas.
Aonde eu queria chegar, com ou sem Código Penal, há pessoas desequilibradas , do tipo que não consegue lidar muito bem com frustrações e adversidades, agora, imagina, gente assim forçada a ter uma criança que não deseja, o resultado volta e meia enche o prato de programas como Brasil Urgente, Ratinho e outros freak shows, pai qye estupra as filhas, mãe que esquarteja recém-nascido, abrigos lotados.
Não, Isoneide,nem de longe, eu quero dizer que abortar é a solução do problema, é o ultimo recurso,e nos países onde é legal, este tipo de ocorrência é extremamente baixo, na Holanda ,por exemplo, é de 0,02/1000 gestações, maaaaaassssssss, trata-se na imensa maioria de países desenvolvidos ,onde a educação é a prioridade, este é o mote das duas postagens, é preciso informar homens e mulheres sobre parentalidade responsável, ciência plena de seus direitos reprodutivos, só que, como em quase tudo aqui no Bananão, há muitos lucrando com a ignorância.

Meninos Brincando -Portinari,1955

Meninos Brincando -Portinari,1955

Hoje eu resolví mexer em um vespeiro,talvez o maior deles, falar sobre direitos reprodutivos, sobre aborto, a irracionalidade da sua criminalização no Brasil, o que torna nosso amado bananão tão ou mais atrasado do que certos países do mundo islâmico.
Não faz muito tempo, para que uma mulher se submetesse à cirurgia de laqueadura era preciso autorização do marido ,solteiras só depois dos 35 anos. Por mais absurdo que pareça era a realidade de um país que em sua legislação consagrava o homem como chefe quase absoluto da família, Código Civil de 1906 (agora está em vigor outro, aprovado em 2002) , o infame Estatuto da Mulher Casada (revogado em 1962) e outros diplomas, situação idêntica a de um senhor de engenho,até a vinda da Constituição de 1988, de orientação social-democrata e estabelecer no artigo quinto (o famoso) que homens e mulheres são iguais em direitos e deveres.
Como é sabido, mudanças no mundo real não costumam ocorrer com a mesma velocidade das do papel, a mentalidade patriarcal, falar machista logo , ainda predomina em certos setores, ainda é comum empurrar a responsabilidade pela agressão às vítimas de estupro e da violência doméstica, fazer comentários sobre a conduta sexual de uma mulher que chega a postos de comando, quando se fosse um homem tal assunto sequer passaria pelas cabeças dos maledicentes.
Mas o pior de tudo é ver mulheres oprimindo suas colegas de gênero,empertigadas com a faixa de “direitas” concedida pela sociedade chauvinista, orgulhosas do troféu. Passando o preconceito de mãe para filha,a repetirem como papagaios frases e atitudes que depreciam seu próprio sexo.
Existirá maior opressão do que não poder decidir se terá ou não filhos? Ter o corpo tutelado pelo Estado ,em nome de uma pretensa moral e de ditames religiosos em um país que se diz laico? Sim, muito da proibição do abortamento é por motivos religiosos,agora, se o nosso querido Estado não pode promover e nem perseguir qualquer espécie de credo,como é que faz dos preceitos de algumas delas a base para legislar?
A ultima coisa que desejo é descer o cacete na fé de quem quer que seja, mas é urgente que o povão entenda uma coisa, trata-se de direito de escolha, ninguem será obrigada a abortar ,os que são contra por razões de crença e filosóficas continuariam a ter a mesma liberdade de pensamento. Mas este resquício de talibã não pode continuar.
Ah sim,nem todos os opositores á legalização do aborto são religiosos, há ateus e agnósticos entre eles, como há em todo e qualquer lugar,mas vejamos, a sociedade com respaldo legal obriga uma mulher a ter um filho que ela não deseja e/ou não pode criar, afinal, quem mandou a vadia abrir as pernas né? Não tomou pílula ,agora que sofra! E seu parceiro, o que a engravidou escapa ileso desta fúria nada santa.
Agora, vamos ver o lado do outro personagem desta tragédia de péssimo gosto, o bebê,mais tarde criança ,adolescente, se não for abandonado e crescer em dos “maravilhosos” abrigos, bom, se ele ou ela for branquinho(a),até dois anos de idade, é um bom candidato à adoção,agora se por um pretinho faceiro,mais velho, vai ficar por lá mesmo. Isto com sorte, porque a mãe pode em um primeiro momento achar-se capaz de cuidar da cria, mas sem acompanhamento psicológico ,muitas vezes sem dinheiro, quando não perdeu o emprego por estar grávida e solteira (é isso existe sim!), e uma personalidade não muito equilibrada,está aí os ingredientes para a receita que faz sucessos em programas sensacionalistas, crianças abusadas sexualmente, espancadas, sofrendo torturas, presas no trabalho ou na prostituição infantis,mas que importa? O grandioso dever de salvar um indefeso feto já foi cumprido.

O Grito 1893- Edward Munch

O Grito 1893- Edward Munch

O filme The Day After (EUA 1983) foi uma das coisas mais assustadoras que já assistí ,aos onze anos, no Supercine da Globo, a história de um ataque nuclear da extinta URSS aos Estados Unidos recheada de cenas impactantes como a primeira explosão ,acompanhada pelo indefectível cogumelo , pessoas desintregando-se como se fossem feitas de paçoquinha,o vento atômico derrubando prédios imensos, como se as cidades fossem construídas de cartas de baralho. Depois o silêncio sepulcral que precede o inverno nuclear, a partir daí a narrativa foca-se em uma família ,sua luta para continuar sobrevivendo sem enloquecer após cinco anos confinada em um porão,comida e água racionadas, seus dramas internos.
Durante muito tempo eu e as outras crianças da rua (Isoneide, naquela época não existia nintendo,só atari, internet,tv a cabo ,cidades infestadas de bandidos e quase todo mundo via os mesmos programas) brincamos com um olho no céu, temendo avistar o sinistro cogumelo,foi a época da Guerra Fria, da polarização direita X esquerda,primeiro,segundo e terceiro mundo,ou você estava com o Tio Sam ou pertencia ao Eixo do Mal.
Como todos sabem, a partir de 1989, o Muro de Berlim cai e a Cortina de Ferro começa a ruir,a URSS esfacelou-se em inumeras republicas ,mas a Russia continuou firme e forte, a Guerra Fria acabou, já que um dos inimigos fora abatido. Tudo isto não quis dizer um mundo melhor ou pelo menos ,mais seguro, exatamente, guerras civis no Leste Europeu , Ásia e África foram a tônica dos anos 90.
O tempo passa, o tempo voa, diz o jingle de algum produto, de alguma companhia, que não consigo lembra-me,mas certas coisas mudam pouco ou nada, o que importa é que passados quase 20 anos do suposto fim da Guerra Fria, a distinção entre mocinhos e bandidos diluiu-se de forma irreversível.
O alvo? Somos todos nós, Isoneide,sim, eu,você e a velha chata do 301 inclusas,juntinho do Seu Joaquim da Padaria, as ameaça agora vem de vários pontos, e,para mal de todos os pecados, ficou muito maís fácil para terroristas conseguir armamento atômico no mercado negro, 11 de setembro foi só uma amostrinha do que pode estar por vir. Contudo ,o perigo mais concreto vem de países como Paquistão, Irã e a Coréia do Norte, que anda fazendo das duas, em um jogo de provocações aos EUA e a seus vizinhos, e este país,governado por um ditador maluco tem como aliados Índia (esta uma potência nuclear),só gente com grande tradição de consciência cívica e respeito aos direitos humanos e à vida…
E os EUA nessa? Bom, a “polícia do mundo’ está falida e diplomaticamente queimada após as mancadas da era Bush,aliás, tal imbroglio tem como uma das raízes a prepotência do império no trato com o “resto do mundo” e suas intervenções militares servindo unicamente às suas conveniências e de alguns de seus aliados,mas isto não explica tudo.
Ah e eu nem falei ainda das armas biológicas e químicas, um risco muito maior do que as nucleares,proibidas pelo Protocolo de Genebra, ainda assim, muitos países não são signatários e não pretendem ingressar no clube tão cedo,e justamente aí,o terrorismo se torna um inimigo dos mais temíveis ,é muito mais fácil a modificação genética de cepas de ,por,exemplo, vírus como o da varíola e do ebola,do que projetar uma ogiva,mais fácil ainda é disseminar a praga em um mundo onde nunca as pessoas se moveram tão longe e tão rápido. Até que seja percebido o ataque, uma pandemia já dizimou milhões.
Será que a nossa querida humanidade precisará mesmo passar por tais horrores? Não chega tudo o que já aconteceu? É necessária uma hecatombe para que, talvez,apenas talvez, os sobreviventes tirem alguma lição? E as outras espécies deste planeta,como é que fica?

A partir de hoje, 06 de junho de 2009,o blog passa a chamar-se apenas Estranho Mundo.

Esutdo de Mulher 1884-Rodolfo Amoedo

Esutdo de Mulher 1884-Rodolfo Amoedo

Um dos filmes que mais gosto é Feitiço do Tempo ( Groundhog Day 1993) com Bill Murray, um jornalista incumbido de cobrir as festividades do Dia da Marmota (Groundhog Day) em uma pequena cidade da Pensilvânia.que acontece todos os anos no dia dois de fevereiro, claro,o reporter odeia tudo aquilo,mas quando acorda na manhã seguinte percebe que ainda é o Dia da Marmota, e no outro,outro e mais outro dia.
O filme é uma comédia feita em cima de uma situação surreal e desesperadora,aliás se não fosse assim, seria qualquer outra coisa,menos humor. Para se ver no conforto de um multiplex,ou melhor,afundado no sofá devorando uma bacia de pipoca repleta de manteiga e que se dane a boa forma.
Mas…E quando se trata de uma situação igualmente surreal e desesperadora no nosso cotidiano? Pode ser coisa prosaica mesmo, não um loop espaço-tempo e vamos adaptar as coisas à nossa realidade tropical e trocar esse mamífero de zonas temperadas pela lesma.
Explico, é um bicho mole,melequento e…lerdo. Sabe aqueles dias em que de duas uma:ou todos estão devagar quase parando ou você acordou ligado no 220.
Tudo fica viscoso, o ponteiro do relógio não sai do lugar, conseguir algo é uma batalha e ainda periga ter de refazer o caminho, pois dia da lesma que se preze faz quase tudo dar errado. Ou será nossa afobação?
Uma coisa que lembra os filmes de de George Romero,pois todos parecem infectados por algum vírus zumbizante, arrastando-se pelas ruas,corredores de supermercados,indiferentes à presença dos outros.uma espécie de autismo coletivo.
Ao contrário do Dia da Marmota,não há tempo para refletir,remissão e outros temas tão caros ao cinema americano, as situações irritantes repetem-se com uma frequencia anormal (esses moluscos são rapidíssimos para devorar uma horta) e começa de modo imperceptível, como o ônibus que demora, depois o elevador que especialmente hoje está cheio e você já se encontra dez minutos atrasado,o colega ao lado no mundo da lua,na hora do almoço mais lentidão e a comida que chega é justamente aquilo que você mais detesta…Melhor parar por aqui e FELIZ DIA LESMA,se puder.