
Goyta- Tribunal do Santo Ofício
Como algum eventual e caridoso leitor sabe, sou rata de orkut, um dos motivos principais é que só o ambiente virtual de um site de relacionamentos permite conhecer tantas pessoas e suas visões de mundo, certo que em 90% dos casos, isto não é muito agradável. mas ainda está valendo.
Ainda que o senso comum diga que lá as pessoas exagerem para mais , todo mundo é lindo, ganha bem, e integra famílias perfeitas, é preciso um certo tempo para que a inibição suma e fatos interessantes venhamà tona. Pois é, às vezes é preciso alma de Poirot…
Onde quero chegar com toda essa lenga-lenga é no espinhoso assunto de relações entre classes sociais, como´se sabe, 90% dos usuários do Orkut pertecem às classes médias e altas , paulistas. Não pense, descuidado leitor que haja grande homogeneidade de idéias.
Quando os temas cotas, MST, inclusão digital, favela, sem-teto e MST dão o ar da graça coisas muitoooooo interessantes podem ser lidas.
Resolvi escrever por conta de um tópico ainda rolando por uma comunidade , que fala justamnete sobre….Áreas de ocupação, áreas de risco… Para esclarecer,o termo é um eufemismo para invasão e a subsequente favela.
Pois bem, uma forista dizia que como os moradores destes locais não pagam IPTU ,logo, não têm o direito de cobrar obras de contenção de encostas e córregos das autoridades…Pois é, a lógica do não tem grana, foda-se…Não vou pedir desculpas pela crueza das palavras.
Pior foi ver a concordância quase unânime dos outros, a classe média abandonou os serviços publicos,eles se deterioraram , mas o governo não deixou de cobrar impostos por conto disto, e agora, ela posa de mater dolorsa, esmagada sob o peso dos tributos e nenhuma contrapartida. Mas, Isoneide, você cobrou? Pois é, nem ela.
Voltando aos invasores, não estou assumindo aquela clássica posição esquerdalóide , apoiando sem reservas a ocupação desenfreada de terrenos, primeiro porque isto agride o meio ambiente, detona com mananciais de áreas verdes,segundo porque não é nenhuma “conquista do proletariado sofrido sobre a burguesia malvada”.um ato de rebeldia sim, mas que bem poucas benesses traz ,ao menos a curto prazo.
Só que tambem não dá para assumir aquela posição do positivismo jurídico mais do que tapado no tocante ao direito à propriedade, tanto que o Código Civil e a Constituição dizem que ele deve estar consonante à uma função social, esta ultima expressão, mais um daqueles termos vagos que rende ementas e mais ementas nos tribunais da vida. A função do Direito é antes de tudo ,mediar conflitos,regras de convivência só serão ditadas depois , antes de tudo está a gana de viver,não sobreviver, equiparado a bicho no estábulo, alguns chamam a isto de Direito Natural, ño caso em tela, como gostam de dizer os profissionais do ramo, se não há políticas consistentes de habitação popular, do outro lado, se há terrenos ociosos, destinados apenas à especulação, esta equação nunca seria das mais harmônicas.
Agora, acima do direito de não morar embaixo da ponte há outros dois ainda mais importantes, à vida e à integridade física, o Estado que se diz democrático e de direito deve ou deveria assegurar a todos os seus cidadãos, pobre, ricos, criminosos, “pessoas de bem”, prostitutas, freiras, favelados, executivos, eis o porque de quem vive em áreia invadida ter todo o direito de cobrar medidas no sentido de evitar enchentes e deslizamentos….Viste,ó vaca fascista?